Mercado de AI Studio na América do Sul: O Talento É Regional, a Distribuição Não
O mercado de AI studio na América do Sul não é um mercado só. O Brasil é 50,6% do PIB do continente. O talento cruza fronteiras, a distribuição não.
O mercado de AI studio na América do Sul não existe como um mercado único, e é aí que quase toda tese regional quebra. O Brasil sozinho respondeu por 50,6% do PIB nominal sul-americano em 2024, cerca de USD 2,19 trilhões de um total de aproximadamente USD 4,32 trilhões, calculado a partir das contas nacionais do Banco Mundial. Em 2025 ficou também com metade dos dólares de venture da região.
Para um leitor brasileiro, 50,6% não é motivo de orgulho. É a explicação de por que quase nenhum founder daqui perde tempo com o resto do continente. Quando metade do PIB, metade do capital de risco e todo o seu idioma comercial cabem dentro de uma fronteira, ignorar Bogotá, Santiago e Buenos Aires não é provincianismo. É alocação racional de atenção.
E o próprio termo cobre dois negócios de economia oposta. Um vende horas como agência dentro de um mercado latino-americano de terceirização de TI de cerca de USD 19,5 bilhões em 2025. O outro toma economia de co-founder e constrói um portfólio próprio. A tese deste artigo é que essa conta mudou de um lado só. O talento de engenharia e a capacidade de IA já são regionais e cada vez mais fungíveis entre fronteiras. A distribuição, a regulação e o capital seguem teimosamente nacionais. É essa assimetria, e não o tamanho do agregado regional, que explica por que o modelo de studio faz sentido nesta geografia. A Avante Ventures é um venture studio que constrói empresas AI-native no Brasil e na América Latina, e opera exatamente em cima dessa assimetria.
O mercado de AI studio na América do Sul, com números datados
Ninguém tem um número limpo e defensável para o mercado de AI studio na América do Sul, porque nenhum analista mede essa categoria. O que existe são três medições adjacentes que discordam entre si. Declarar a faixa honestamente vale mais do que escolher uma e fingir precisão.
O IMARC Group dimensiona o mercado de inteligência artificial da América Latina em USD 5,79 bilhões em 2025, com projeção de USD 34,62 bilhões até 2034 a um CAGR de 22,0% entre 2026 e 2034, e coloca o Brasil em cerca de 25% desse total regional. O Statista Market Insights projeta o mercado de inteligência artificial da América do Sul em torno de USD 19,0 bilhões até 2030, a um CAGR de 16,7% desde 2024. As duas leituras usam recortes geográficos e fronteiras de segmento diferentes. O IMARC inclui o México, o Statista não. Trate a distância entre elas como prova de que a categoria é imatura, não como motivo para desconfiar das duas.
A terceira medição é a maior de todas, e é a que quase ninguém cita. A terceirização de serviços de TI na América Latina está estimada em cerca de USD 19,5 bilhões em 2025. É nesse mercado que a maior parte de quem digita AI studio em um buscador está de fato comprando. O mercado de vender horas é maior do que o mercado de construir empresas, e confundir os dois é o primeiro erro de leitura da categoria.
O capital público deixou de ser ruído e virou variável. O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial 2024 a 2028 foi lançado em 30 de julho de 2024 com R$ 23,03 bilhões, cerca de USD 4 bilhões, segundo o Investment Policy Monitor da UNCTAD. A Colômbia adotou o CONPES 4144 em 14 de fevereiro de 2025, com orçamento de cerca de USD 479 milhões. São dois programas nacionais com duas regras de compra nacionais, e isso já antecipa o argumento central deste texto. Para uma leitura adjacente sobre como dimensionar um segmento vertical na mesma região, veja a análise do mercado de visão computacional na América do Sul.
- IMARC, América Latina: USD 5,79 bilhões em 2025 para USD 34,62 bilhões em 2034, CAGR de 22,0%, com o Brasil em cerca de 25% do total.
- Statista, América do Sul: cerca de USD 19,0 bilhões até 2030, CAGR de 16,7% desde 2024.
- Terceirização de TI na América Latina: cerca de USD 19,5 bilhões em 2025, o mercado onde o comprador de horas realmente está.
- Capital público: R$ 23,03 bilhões no PBIA brasileiro e cerca de USD 479 milhões no CONPES 4144 colombiano.
Por que a América do Sul não é um mercado único
A América do Sul é um continente com uma economia dominante e quatro economias médias que quase não compartilham nada do ponto de vista operacional. O Brasil responde por 50,6% do PIB regional e tem idioma próprio, aparato tributário e regulatório próprio e mercado de capitais doméstico próprio. Uma tese que trata o Brasil como uma entre várias apostas de país equivalentes já errou o peso de metade do continente antes da primeira reunião.
Depois do Brasil vem a Argentina com 14,8% do PIB sul-americano, a Colômbia com 9,7%, o Chile com 7,6% e o Peru com 6,8%. Somados, os quatro não chegam a 40%. O capital de risco é ainda mais concentrado que o PIB. Em 2025, a América Latina recebeu USD 4,1 bilhões de venture, com o Brasil em USD 2,1 bilhões e o México em USD 1,1 bilhão, segundo a Crunchbase News de 13 de janeiro de 2026. Dois países ficam com cerca de três quartos dos dólares, e um deles nem é sul-americano.
O recorte de 2024 mostra o mesmo desenho por baixo. O Latin America Venture Capital Report 2025 reparte o ano em Brasil com USD 1,7 bilhão, cerca de 52% do total, México com USD 792 milhões, Argentina com USD 418 milhões e Colômbia com USD 353 milhões. Chile e Peru ficaram abaixo do limite de reporte. Isso não é um mercado regional com variação por país. É um mercado nacional cercado de mercados pequenos.
A capacidade de pesquisa diverge na mesma proporção. A intensidade de P&D é de 1,19% do PIB no Brasil, 0,60% na Argentina, 0,39% no Chile, 0,29% na Colômbia e 0,18% no Peru, segundo os indicadores de P&D do Banco Mundial. O Brasil aplica mais de três vezes a fatia peruana sobre uma economia muito maior. Em valor absoluto, a diferença é de cerca de duas ordens de grandeza.
E cada país carrega pelo menos um fato que derruba o enquadramento monolítico. A Argentina fechou 2024 com inflação ao consumidor de 219,9%, segundo o Banco Mundial, o que torna receita em moeda local estruturalmente impossível de precificar, apesar da segunda maior intensidade de P&D da região. O Chile é o mais rico por habitante, com USD 16.659 de PIB per capita em 2024, e abriga o Start-Up Chile, criado pela CORFO em 2010 como o primeiro acelerador público do mundo, com mais de 3.000 startups aceleradas de mais de 80 países. Ainda assim, sua intensidade de P&D é de 0,39%. O Peru foi o primeiro país da América Latina a promulgar uma lei geral de IA e tem a menor intensidade de P&D da região. Liderança regulatória e capacidade de construir não são a mesma variável.
- Brasil: USD 2.185,8 bilhões de PIB nominal em 2024, 50,6% do total sul-americano.
- Argentina: 14,8% do PIB regional, inflação de 219,9% em 2024, P&D de 0,60% do PIB.
- Colômbia: 9,7% do PIB regional, política de IA mais explícita da região, P&D de 0,29%.
- Chile e Peru: 7,6% e 6,8% do PIB regional, com P&D de 0,39% e 0,18%, respectivamente.
50,6%. A fatia do Brasil no PIB nominal da América do Sul em 2024. Metade do continente é um país só, com idioma próprio, código tributário próprio e mercado de capitais próprio.
— Calculado a partir das contas nacionais do Banco Mundial, 2024
Talento é regional, distribuição e regulação são nacionais
A engenharia e a capacidade de IA atravessam as fronteiras sul-americanas com atrito quase nulo. A distribuição, a regulação e o capital não atravessam quase nada. As duas metades têm prova, e as provas são de tipos diferentes.
A metade regional se prova pelo mercado. A terceirização de serviços de TI da América Latina roda em cerca de USD 19,5 bilhões em 2025 vendendo para a mesma demanda global, e as exportações argentinas de economia do conhecimento, sobretudo software e serviços de TI, vêm rodando perto de USD 9,6 bilhões ao ano nas leituras recentes. Contratação remota, fuso compartilhado com os Estados Unidos, um mercado de trabalho em espanhol fora do Brasil e ferramental de IA portátil significam que um engenheiro de machine learning colombiano, um engenheiro de dados chileno e um líder de backend argentino podem compor o time de uma venture brasileira sem que nenhum deles mude de cidade.
A metade nacional se prova por datas. O PL 2338/2023, o marco legal de IA, foi aprovado pelo Senado em 10 de dezembro de 2024 e seguiu para a Câmara dos Deputados em 17 de março de 2025, conforme a análise técnica do Data Privacy Brasil. O Peru publicou o Decreto Supremo 115-2025-PCM em 9 de setembro de 2025, regulamentando a Lei 31814 e consolidando o primeiro marco geral de IA da região, segundo o painel de políticas da OECD.AI. A Colômbia adotou o CONPES 4144 em 14 de fevereiro de 2025, política e não estatuto. O Chile viu o projeto 16821-19 ser aprovado pela Câmara em agosto de 2025 e seguir para o Senado. A Argentina optou deliberadamente por não ter marco abrangente, apostando em regulação leve para atrair investimento. Cinco países, cinco instrumentos, cinco calendários.
A distribuição é nacional por motivos mais duros que a regulação. A última medição do Doing Business colocou a empresa brasileira em 1.501 horas por ano para apurar, declarar e pagar tributos corporativos, tributos sobre consumo e encargos trabalhistas, a pior marca entre as 190 economias medidas pelo Banco Mundial. A Emenda Constitucional 132 de 2023 está mudando esse custo, mas não torna a lógica tributária brasileira portátil para Bogotá ou Santiago. Some a isso meios de pagamento por país, lei de compras públicas por país, regime de proteção de dados por país, parceiros de canal por país e uma fronteira linguística exatamente na divisa brasileira. O insumo é regional. O moat é nacional.
É por isso que a assimetria favorece um studio especificamente. Um studio reúne o insumo regional, que é profundidade de operador, densidade de engenharia, infraestrutura de build compartilhada e um playbook de go-to-market reutilizável, e aponta tudo isso contra um go-to-market nacional, que é onde a defensabilidade de fato mora. Um time fundador isolado não amortiza o insumo regional em nada. Um fundo regional generalista amortiza capital, mas não amortiza capacidade de construir. Das três estruturas, só uma amortiza as duas coisas.
AI studio no sentido de agência versus o modelo de venture studio
O termo AI studio é ambíguo, e a ambiguidade precisa ser enfrentada cedo, porque os dois modelos têm economias opostas. Quem procura AI studio na América do Sul está querendo dizer uma de duas coisas muito diferentes. Ou uma agência que vende horas e entrega um produto de IA para o cliente, ou um venture studio que assume economia de co-founder e constrói um portfólio próprio.
Uma software house que se rebatiza de AI studio continua vendendo horas. O valor criado vai para o balanço do cliente. Um venture studio não vende nada por hora. Ele constrói empresas das quais é dono em parte, o que significa que o resultado aparece no portfólio e não na fatura. Os dois modelos são legítimos. O que não faz sentido é os dois viverem sob a mesma palavra-chave sem distinção.
E um venture studio também não é acelerador nem incubadora. Um acelerador seleciona times que já existem e os passa por uma turma. Uma incubadora oferece espaço e serviços. Um venture studio origina a ideia da empresa, recruta o operador fundador e co-funda desde o dia zero. A diferença não é de intensidade de apoio. É de quem é dono do quê.
- Modelo de receita: a agência vende horas ou escopo fechado, o venture studio toma equity e constrói portfólio próprio.
- Economia: margem bruta sobre entrega, linear com headcount, contra economia de co-founder, que compõe com o valor do portfólio.
- Relação: fornecedor de um cliente contra co-fundador da empresa.
- Risco: limitado e pago na entrega contra concentrado e pago no desfecho.
- Modo de falha: colapso de utilização e concentração de clientes contra um portfólio de empresas subescala.
O que os dados de desempenho do modelo de studio mostram
Segundo a Global Startup Studio Network (GSSN), venture studios entregam TIR de cerca de 50% contra cerca de 19% do venture capital tradicional, algo em torno de 2,5x em horizontes de tempo realistas. Esse é o benchmark do modelo. Nunca um retorno realizado pela Avante Ventures.
A base é um levantamento de 258 startups criadas por studios. Ele reporta TIR média de 53% contra 21,3% no comparativo tradicional, TVPI de 5,8 contra 1,57, tempo de zero a seed de 10,7 meses contra 36 meses e tempo de zero a Série A de 25,2 meses contra 56 meses. A conversão de seed para Série A fica em 72% contra 42%.
Agora a ressalva, que é o que dá credibilidade ao resto. Trata-se de um levantamento autodeclarado de empresas criadas por studios, conduzido pela associação do próprio setor. Ele carrega viés de sobrevivência, porque studios matam ideias antes que elas virem empresas e essas nunca entram na amostra. Os números de velocidade são mais confiáveis que os de retorno, porque tempo até rodada é diretamente observável e taxa interna de retorno depende de marcação. Quem apresenta essa tabela sem a ressalva está vendendo outra coisa.
A parte da velocidade é a que mais interessa nesta região. Uma diferença de cerca de 25 meses até a primeira rodada institucional pesa muito mais em um mercado com inflação de 219,9% em um dos vizinhos, saídas rasas e 1.501 horas anuais de conformidade tributária do que pesaria em um mercado de capital paciente. Comprimir o tempo até a primeira receita é hedge cambial e hedge regulatório ao mesmo tempo.
Risco cambial, saídas rasas e a armadilha do portfólio subescala
A correção pós-2021 é real e não foi revertida. Esse é o primeiro dos quatro modos de falha que qualquer tese sul-americana precisa encarar sem adoçante. O venture latino-americano somou USD 4,1 bilhões em 2025, acima dos USD 3,6 bilhões de 2024, e ainda assim menos da metade dos USD 8,4 bilhões de 2022. Recuperação a partir de um fundo não é boom. Quem modela capacidade de follow-on com comparáveis de 2021 está modelando um mercado que não existe mais.
O segundo é liquidez, e esse é o ponto fraco de verdade. O Latin America Venture Capital Report 2025 registra apenas 79 saídas entre empresas com aporte de venture no período analisado, com aquisições e saídas em queda contínua desde 2021, e aponta a escassez de liquidez como o maior desafio do ecossistema. Existem cerca de 60 empresas de tecnologia latino-americanas que levantaram mais de USD 150 milhões e não abriram capital nem foram adquiridas. Isso é um acúmulo, não um pipeline. Secundários vêm fazendo o trabalho que M&A e IPO faziam.
O terceiro é que risco cambial e político não se diversificam dentro da região. A Argentina a 219,9% é o caso extremo, mas todo país da tabela precifica receita em uma moeda que pode andar 20% contra o dólar em um trimestre. Espalhar um portfólio por cinco moedas sul-americanas não elimina esse risco. Apenas o correlaciona.
O quarto é a armadilha específica deste artigo. Um studio que se espalha por cinco países sem dominar a distribuição nacional em nenhum deles termina com um portfólio de empresas pequenas demais para importar individualmente e difusas demais para defender coletivamente. O padrão de falha da tese regional já é conhecido e não é um problema de capital. É um problema de distribuição. A estrutura correta é concentrar o go-to-market em um mercado nacional onde o operador tem cicatriz real e reunir apenas os insumos regionais.
USD 4,1 bilhões contra USD 8,4 bilhões. O venture latino-americano em 2025 comparado a 2022. Sobe ano contra ano e ainda está abaixo da metade do pico recente, com apenas 79 saídas registradas.
— Crunchbase News, 13 de janeiro de 2026, e Latin America Venture Capital Report 2025
Como a Avante aborda a região a partir do Brasil
O insumo escasso não é engenharia. A região tem engenheiros, e o ferramental de IA reduz a escassez de capacidade bruta de build a cada trimestre. O insumo escasso é o operador de domínio com 10 anos ou mais de cicatriz de mercado brasileiro. Alguém que sabe qual tribunal publica qual diário, qual comitê de subscrição de fato assina e qual calendário de compras municipal governa uma venda. Esse conhecimento não atravessa fronteira e não comprime com modelos melhores.
O momento também tem base em custo. O AI Index 2025 do Stanford HAI documenta que consultar um modelo em nível GPT-3.5 no MMLU caiu de USD 20,00 por milhão de tokens em novembro de 2022 para USD 0,07 por milhão de tokens em outubro de 2024, uma redução de mais de 280 vezes em cerca de 18 meses, com hardware caindo perto de 30% ao ano e eficiência energética melhorando cerca de 40% ao ano. É por isso que a infraestrutura de IA já está barata o suficiente para operar sem uma Série A.
O Brasil entra nessa conta com um segundo fato estrutural. Os serviços respondem por cerca de 70% do PIB brasileiro com baixa penetração de software, segundo o IBGE na base de valor adicionado. A série mais estreita do Banco Mundial para valor adicionado de serviços marca 59,2% do PIB brasileiro em 2024. As duas leituras estão corretas em suas próprias bases e ambas descrevem a mesma coisa. Uma economia de serviços grande e pouco instrumentada por software. A tese completa está detalhada na análise da oportunidade da economia de serviços brasileira.
É assim que a Avante Ventures traduz a leitura regional em operação. O go-to-market é concentrado nacionalmente, começando pelo Brasil, porque o Brasil é 50,6% do PIB do continente, cerca de metade dos dólares de venture da região e o mercado onde os operating partners carregam a cicatriz. Expansão regional é decisão de empresa do portfólio, tomada depois que a distribuição nacional já existe, e nunca uma tese de studio. Os insumos regionais, esses sim, são reunidos e amortizados entre as ventures.
A mecânica é explícita. Toda venture percorre o sistema de seis estágios, Research, Partner, Build, Traction, Revenue, Compound. O studio lança 3-4 ventures por ano, com $500K-$1.5M aportados por venture ao longo do pre-seed, retendo economia de co-founder. Os operating partners permanecem engajados até o primeiro marco de receita e depois passam para supervisão de conselho. Uma venture de studio chega ao mercado 6-9 meses à frente de um time independente com financiamento comparável, e resolver o encanamento de empresa uma única vez direciona algo em torno de $300K-$500K de capital efetivo por venture para produto e tração em vez de overhead.
O padrão que se repete no portfólio é o flywheel copilot, dado, capital. Construir um copiloto de IA que gera dado proprietário e usar esse dado para levantar e alocar capital. A Alphajuri aplica isso ao mercado brasileiro de ativos judiciais. A WIR, com a AXA, aplica a precificação e scoring de risco em seguros. A BR Auction Intel aplica a leilões de imóveis no Brasil. As três são jogadas nacionais construídas sobre insumos regionais, e é essa leitura que sustenta por que um venture studio no Brasil.
Quando a inferência fica quase de graça, a restrição que importa deixa de ser acesso a modelo e passa a ser dado proprietário e distribuição. As duas coisas são nacionais na América do Sul. O founder brasileiro que decidiu ignorar o continente acertou a metade fácil da conta. A metade que ele ainda não cobrou é que o time que constrói o produto já pode ser regional, mesmo quando o mercado que paga a conta nunca será.
Perguntas frequentes
- Qual é o tamanho do mercado de AI studio na América do Sul?
- Não existe um número único e defensável, e as fontes discordam de verdade. O IMARC estima o mercado de IA da América Latina em USD 5,79 bilhões em 2025 chegando a USD 34,62 bilhões em 2034, enquanto o Statista projeta cerca de USD 19,0 bilhões para a América do Sul até 2030. O mercado adjacente de terceirização de TI na América Latina, que é onde a maioria dos compradores de AI studio realmente está, roda perto de USD 19,5 bilhões em 2025.
- Qual a diferença entre um AI studio e um venture studio?
- Um AI studio no sentido de agência vende horas e constrói para o cliente. Um venture studio co-funda empresas e toma equity, então seu resultado é o portfólio e não a fatura. São modelos de receita, perfis de risco e desfechos diferentes, e a confusão entre os dois é o erro de leitura mais comum do mercado de AI studio na América do Sul.
- Um venture studio é a mesma coisa que acelerador ou incubadora?
- Não. Um acelerador seleciona times que já existem e os passa por uma turma, e uma incubadora oferece espaço e serviços. Um venture studio origina a ideia da empresa, recruta o operador fundador e co-funda desde o dia zero. A Avante Ventures é um venture studio.
- Venture studios realmente superam o venture capital tradicional?
- Segundo a Global Startup Studio Network (GSSN), a TIR de venture studios fica em cerca de 50% contra cerca de 19% do venture capital tradicional. O dado de base é um levantamento autodeclarado de 258 startups criadas por studios e carrega viés de sobrevivência. As métricas de velocidade, como tempo até seed, são mais confiáveis que as de retorno, porque são diretamente observáveis.
- Por que teses regionais na América do Sul costumam falhar?
- Porque tratam a distribuição como regional quando ela é nacional. O talento de engenharia atravessa fronteiras com facilidade, mas regimes tributários, regras de compras públicas, meios de pagamento, marcos de IA com datas diferentes por país e a fronteira linguística do Brasil não atravessam. Um studio espalhado por cinco países sem distribuição nacional em nenhum termina com um portfólio subescala.
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